14 de jan de 2011

A corrente - Estevão Ribeiro

                                                          

A corrente! Receba a mensagem.   
Passe adiante... mantenha-se vivo.

A capa impressiona: um teclado retorcido, aparentemente queimado, com sangue coagulado derramando-se por cima das teclas derretidas causa impacto. E para quem gosta de terror, desperta a curiosidade mesmo. A primeira vez que ouvi falar sobre o thriller de Estevão Ribeiro, foi lendo um comentário sobre a capa, por sinal, muito bonita. Desde então, esperei ansiosamente para ler e não me decepcionei. Li alguns comentários apontando as semelhanças com o filme O Chamado, mas o enredo apresenta identidade e características próprias, gosto da variação narrativa quando apresenta trechos de linguagem virtual. A narrativa transita do repugnante ao melancólico de forma bem interessante, é assombrar-se e ao mesmo tempo, talvez se comover com alguns fatos narrados. Mas não se engane, o desespero em busca da sobrevivência traz um ritmo angustiante na maior parte do tempo. 

Afinal, o que esperar de um livro denominado A corrente? Correntes são comuns na atualidade, espalhando-se por meio de e-mails diversos, alguns disfarçados de atos  de generosidade, outros, amaldiçoando declaradamente. Mas não são criações do universo virtual, apenas ganharam impulso por meio dele. Na minha adolescência, lembro que a visão de um envelope sem remetente me arrepiava. Era mais uma maldita corrente. A melhor opção era não abrir e se livrar o mais rápido possível da peça. Aos incautos que abriam, tirar tantas cópias e passar adiante, e naquela época, copiar era tarefa manuscrita. Afinal, Smith, o fazendeiro americano não repassou a corrente e... Lá na França, Ana não sei das quantas estava pronta para se casar, mas... Na Itália, uma dona de casa repassou e...  a lista era criativa e cada local citado comprovava que a corrente havia atravessado o mundo com sua maldição. Era repassar ou sofrer as conseqüências. Desde então, as cartas sem remetente deram espaço ao correio eletrônico e as correntes proliferam. Com a diferença que conhecemos, alguns apenas virtualmente, os remetentes.  

Pois é justamente esse o argumento narrativo de A corrente. Um email que traz consigo uma maldição tão terrível que parece ser impossível de acreditar. O autor trouxe a lenda, ou mito, ao momento contemporâneo e escreveu uma história de terror  muito interessante. Em cenas que o leitor não consegue identificar de imediato se fazem parte do plano da realidade ou da alucinação, todos os elementos do fantástico estão presentes: a insanidade, o medo, a imaginação e a aparente impossibilidade de fuga. Qual o mistério que as correntes trazem?

Mas a narrativa vai além de uma história de terror. Em meio a maldições, espectros, mortes violentas, tentativas para se livrar da maldição e desvendar o mistério da corrente, o autor nos oferece um painel no qual cada personagem representa uma faceta da sociedade: as faces por trás dos teclados pertencem a pessoas comuns nesse cenário contemporâneo tão preso à tecnologia. Assim como as relações desgastadas ou fortalecidas pelo meio virtual. A solidão oculta em cada palavra teclada. Os riscos e perigos escondidos. Os amores, amigos e inimigos que surgem inesperadamente. Os sonhos abandonados e a necessidade de simplesmente, sobreviver. Roberto Morate, Bruna, Laura, Fábio, Plínio, Gésser, André, Lidia, Ingrid, Leda, entre outros, são pessoas que poderiam estar, nesse momento, na sua lista de amigos . Ainda que a narrativa não apresente profundidade na caracterização de alguns personagens, a verossimilhança da narrativa ganha muito com esse painel social.

Bruna chega aos personagens por meio de uma corrente aparentemente aleatória e inofensiva como todas as outras, mas com um diferencial: ignorar essa corrente não significa salvação! Não abrir o envelope não vai adiantar e, para que alguém se salve, outras pessoas devem ser condenadas. O que você faria? Leia e descubra!

4 comentários:

Ana Cristina Rodrigues disse...

Ei, aparentemente queimado não! Nós realmente tacamos um teclado no fogo pra dar esse efeito!:)

Gostei muito da sua resenha e fico feliz de ver o trabalho do Estevão tendo esse reconhecimento - ele merece! (tá, eu sou suspeita, eu sei...)

Tânia Souza disse...

Valeu Ana, também gostei muito da história e desejo sucesso ao Estevão, ainda mais porque terror é um gênero que adoro.

Agora que me contou que queimaram o teclado er... o que é a coisa vermelha por cima?? O.o

^^

Ana Cristina Rodrigues disse...

Certos segredos não podem ser revelados. Não sem arriscar a vida de quem os ouve... ;)

Tânia Souza disse...

hehehe, credoo, medoo! por isso eu digo que nem queria saber mesmo uai.

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