15 de nov de 2010

Antologia do Absurdo – Victor Meloni



Uma antologia do absurdo nada absurda. Contos escritos de forma clássica e tradicional convivem com delírios de morfemas e vocábulos, versos insanos e analogias ácidas. Terror e hermetismo. Sugestão. Surrealismo. Febre... Vampiros, lobisomens, espectros, demônios. Insanidade, amor, raiva e melancolia. O inusitado, o nauseante, o revoltante... elementos únicos de uma narrativa que beira sim ao absurdo, mas de muito sentido e coerência no que se propõe como projeto literário. A princípio, talvez este livro não agrade a todos os leitores fãs do fantástico, mas, que livro de fato o faz? Sim, os contos de Victor Meloni não se entregam de imediato ao leitor, é preciso investir e deixar-se envolver pelas palavras por vezes distintas do sentido-dicionário, mas é justamente por isso que se configura como uma leitura instigante.

Victor Meloni apresenta-nos este estilo, no qual o conhecimento da norma culta, mesclado ao vocabulário raro, não impede que o estranhamento impere e o suspense seja criado. Ao contrário, seus contos são repletos de simbologias e, por vezes enigmáticos, porém, quando nos perdemos nas suas escritas, as sugestões fantásticas envolvem o leitor de uma forma que vemos a principal função da literatura em ação: perante suas narrativas não se consegue permanecer impassível, nos inquietam, assombram, questionam... O autor defende que é preciso deixar a imaginação do leitor trabalhar, e isso de fato acontece.

Há certo frenesi na composição literária dos contos dessa Antologia do Absurdo, a ponto de seus contos aproximam-se do poético.
 
O sentido transita completamente à vontade entre certa dose de realismo e surrealismo. Ao leitor, o plano das sensações é o que delimita o sentido a ser construído, terror nem sempre explícito, entretanto, é perceptível aos olhos espantados com esse universo literário.

Mergulhe no fantástico universo do absurdo.

Contos: A velha; Akira; Amor, verbo intransitivo; Ao par; Celeuma; Claire; Émile; Complexidade irredutível; Aminoácido; Mainstream; Cruel; Eclipse; Hipertrofia; Hormônio; Imanente; Insofismável; Lobo; Lux Ferre; Maria; Memeplexo; Monstro; Noite; O dente do tubarão; O improvável You-Koddlak; O caso; Pus; Sede; Eles; Tautologia; Uma evidencia Skinneriana; Uma refeição frugal; UNSUNG; Vendeta; Ventura e Vicissitude.

Um comentário:

Ludwig disse...

T, muitíssimo obrigado pelas palavras! Quando alguem que escreve como você faz tais considerações sobre uma obra, o autor, no mínimo, sente-se incentivado a continuar. Obrigado, mais uma vez!

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