21 de nov de 2010

Lázarus – Georgette Silen



Lázarus – Georgette Silen

Resenha de Tânia Souza



"Seu hálito gelado e o rosnado estavam próximos do meu ouvido e quando fui gritar senti uma terceira dor, muito pior do que todas as outras, quando ele cravou seus dentes na pele do meu pescoço. Era insuportável, uma mistura de afogamento com falta de ar, com espasmos que pareciam vir dos orgãos internos do meu corpo e meu coração disparou numa velocidade absurda. Os dentes cravaram mais fundo ainda e a dor triplicou. Ouvi os gorgulhos começarem e percebi que ele sugava alguma coisa: meu sangue."

 
Lázarus é uma história de vampiros. Inevitavelmente, quando penso em vampiros, lembro de uma frase de Umberto Eco que li certa vez sobre o que seria mais difícil de enfrentar: a certeza de um vampiro, ou a suspeita do vampirismo de alguém? Pois é justamente com essa premissa do jogo de esconder e mostrar que a narrativa de Lázarus começa a tomar força.

A narrativa sempre em primeira pessoa, ousada e com diferentes visões sobre um mesmo fato, torna-se um diferencial positivo na obra, nem sempre são necessárias as diferentes versões, mas em alguns momentos, revelam-se uma forma interessantíssima de narrativa. Outro elemento de destaque são as histórias paralelas, algumas são tão fascinantes que deixam vontade de saber mais dos personagens que vão surgindo, cada qual com sua personalidade e vivência pessoal marcante. 

No entanto, Lázarus não é somente uma história de vampiros. É uma história de pessoas, de amores, de lugares e épocas, de sentimentos variados, de lutas, vitórias e derrotas. A princípio, os caminhos de Laura -  personagem principal desta saga - me parecem entediantes, bonita, esperta, mas de certa forma, apagada. Quando o fantástico se instaura realmente em sua vida, a personagem também se fortalece no contexto narrativo.
O trecho inicial nos apresenta a museóloga que deixa o Brasil para ser curadora de arte no The City Museum of Art and Gallery, em Bristol (Inglaterra). A jovem viúva com uma filha adolescente e amigos que a esperam no exterior, ao chegar em Bristol precisa enfrentar o novo trabalho, a chefe exigente, uma cidade apavorada com um assassino em série, o tédio da filha adolescente, os amigos antigos, colegas de trabalho e um olhar enigmático, que fascina e assusta. Este é um trecho que prima pela descrição e alguns leitores podem sentir falta de mais ação, no entanto, logo os eventos começam a se suceder de forma mais rápida e assim, eu como leitora, me empolguei e os fatos se tornam mais densos. Laura é uma personagem que vai crescendo junto com a narrativa, até envolver de fato o leitor. A autora tem uma pena descritiva bem forte, algumas cenas se tornam memoráveis devido ao realismo presente. Também gosto muito da sequência não-linear de alguns trechos deste romance que mescla alta tecnologia, lendas, suspense, violência, crueldade, amor e outros elementos.

No decorrer dos fatos, persiste uma impressão de que todos escondem algo e, portanto, todos são suspeitos... suspeitos de algo que Laura não consegue definir. Existem segredos, existem mistérios, existem escolhas. E existe Lázarus! Que representa o que realmente podemos chamar de reviravolta na narrativa. Amigos, amores, colegas de trabalho, família. Cada um destes relacionamentos se redimensiona sob o peso da suspeita, do amor, da rejeição, da abnegação, da sede, da paixão, do medo e, no momento certo, da certeza. 

Aguardo com ansiedade a sequência de Lázarus!

2 comentários:

Georgette Silen disse...

Oi Tânia
Nossa, estou realmente e literalmente arrepiada com o que escreveu sobre o livro. Muito obrigada pelo presente que me deu, com certeza ganhei meu dia hoje =)
Abraços sinceros dessa sua irmã de letras.
Georgette Silen

Tânia Souza disse...

Ah,eu que agradeço, fico feliz por ter gostado, adorei a história e os personagens, parabéns por esse livro incrível e não demore muiiitoooo com a continuação.

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