Nômade, de Carlos Orsi
Resenha de Tânia Souza
Uma agradável aventura literária aguarda o leitor que embarcar na Nômade. Em uma jornada repleta de perigos e surpresas, a narrativa explora, nos passos dos jovens protagonistas, tanto os aspectos primitivos de uma floresta quanto os mistérios de uma astronave imensa. Nômade, de Carlos Orsi é uma obra destinada ao público juvenil, mas é também indicado ao leitor que aprecie uma história de aventura e ficção cientifica em linguagem simples, porém bem escrita e contextualizada. A bonita capa e as ilustrações são de Renato Alarcão.
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O garoto se esconde do vento. Tem medo que possa levar o seu cheiro até a criatura que persegue. Esconde-se em arbustos, árvores e não perde a fera de vista. Nas mãos, a lança de pedra e na cintura, uma trombeta de concha amarrada. O javali é enorme, exibe presas amareladas e olhos vermelhos, enquanto solta roncos assustadores. Não é um jogo virtual, como está acostumado, é real. Este é Peleu, em seu primeiro acampamento. Mas a aventura não começa nessa caçada, a aventura tem começo há duzentos anos, quando a astronave Nômade deixou a Terra. Destino? Um planeta distante que deverá ser colonizado pela tripulação, que se divide em três tribos: Argos, Dárdano e Arcádia. Um supercomputador chamado Nestor é o responsável pelo funcionamento da astronave.
Os tripulantes são treinados em diversas situações para a vida nesse planeta. Um dos treinamentos é o acampamento, onde jovens de cada tribo devem aprender, além da convivência, como sobreviver em um ambiente semelhante ao que irão encontrar, contando com recursos ínfimos. O objetivo é aprender a viver “naquele e daquele” mundo que os espera. O acampamento acontece na floresta, uma estrutura artificial que se constitui como uma selva completa, com feras, rios, colinas e insetos, inclusive os mais peçonhentos. Uma imitação do ambiente que deve existir no planeta para onde se dirigem. Uma imitação onde os perigos são reais, mas o socorro está próximo.
Os jovens Peleu, Helena, Autólico, Perséfone, Febe e Nausícaa nasceram na Nômade e, no acampamento, aprendem na prática princípios de cooperação e sobrevivência. Quando esse cenário começa a se transformar de forma inesperada e criaturas até então inofensivas atacam, com as situações de risco aumentando, percebem que algo inesperado aconteceu e aparentemente, estão sozinhos. E em perigo. Os incidentes indicam que há algo errado na Nômade, e a ausência de contato com Nestor comprova isso.

