Mostrando postagens com marcador Insanas... elas matam. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Insanas... elas matam. Mostrar todas as postagens

13 de jul. de 2011

Insanas... elas matam


Insanas... elas matam


Resenha de Tânia Souza

Assim que terminei de ler Insanas, lembrei-me de quando a Editora Estronho lançou o convite para seleção dos contos. A proposta? Uma antologia escrita somente por mãos femininas. Mãos que escreveriam o aspecto mais cruel que a mente pudesse vislumbrar. O regulamento deixava claro: os contos deveriam ser escritos por autoras, mas nada obrigava que as personagens fossem femininas, entretanto, as autoras aceitaram o desafio e nesta viagem, o feminino/autora converteu-se/uniu-se, quase predominantemente, ao feminino/personagem. Com exceção de alguns contos que trazem outros protagonistas, são também femininas as mãos, dentes, gestos e mentes ferinos que povoam e temperam com tinta sangue estas páginas.

Antes de falar sobre os contos, não posso deixar de comentar como é bacana o trabalho de diagramação da Editora Estronho. A capa é lindíssima! Como tenho costume de carregar um livro por onde vou, interessante ver como as pessoas entortam o pescoço e vencem a timidez para perguntar sobre o livro. Parabéns por mais esse belo trabalho.

A maioria dos contos me agradou muito, com exceção de alguns, que apresentaram personagens de crueldade extrema, mas com motivação fraca ou mesmo ausente. Como apreciadora dos gêneros terror e horror, creio que a insanidade/crueldade no literário é bela, mas deve ser, principalmente, bem contextualizada.E isso nem sempre acontece nos contos selecionados.

Mas como em toda antologia, a diversidade é sempre um ponto a mais, para cada leitor, um ambiente, cenário ou estilo apresenta diferentes sentidos. O que não gostei, talvez agrade a outro leitor. Do suspense ao gore, Insanas causa efeitos, nunca indiferença: assusta, assombra; causa estranhamento, pena e repulsa. Surpreende.

As narrativas que (por um motivo ou outro) mais me chamaram atenção:

Em “O Bem e o Mal” Sandra Franzoso apresenta, essencialmente, uma protagonista descobrindo o prazer e o sabor da crueldade. O estilo escolhido para a narrativa deste conto não me agradou, mas a alternância de ferocidade/doçura/crueldade (extrema) da protagonista prende o leitor.

Em “A Última Oração”, de Tatiana Ruiz, no sombrio século XVIII, fé, religiosidade, solidão e algo tão maligno que parece impossível de se deter são alguns dos temperos dessa narrativa.

O conto de Georgette Silen traz para o leitor, diretamente “Do Inferno” a oportunidade de conhecer, intimamente, a mente de um assassino.  Quase cúmplice, o leitor acompanha devaneios, motivações e ações de crueldade extrema de uma criatura complexa e cruel.

A Fazenda, conto de Alma Kazur, desvenda segredos do sertão pernambucano. Uma fazenda é palco para crueldade, pactos, magia, escravidão, passado e presente, tortura, possessão. Não apenas um algoz, mas uma família inteira.

Celly Borges, em Vítimas, com uma narrativa enxuta e ferina, apresenta a luta de jovens amigos pela vida. O mal empresta forma humana, mas sua origem é bem mais antiga.

A Anita de Carolina Mancini é quase cativante em sua solidão e complexidade. Quase. Sensual, confusa, insana, amaldiçoada? A cada cena a protagonista revela uma face e nesse caminho de autoconhecimento, consciência e aceitação, o mal ganha dimensões extremas.

Roberta Nunes, em o “Pecado Original”, apresenta uma sociedade na qual o poder e o governo pertencem às mulheres. As convenções sociais deste universo determinam que, de forma cruel, os pecadores paguem por seus crimes e, quando livres, apenas façam o que devem fazer: servir. Conto diferenciado e com final surpreendente.

Débora Moraes oferece: Quer uma Torrada? Curto, forte e cheio de ritmo. O leitor mal terá tempo de aceitar a torrada. Mas vai ler bom conto. 

O conto de Alícia Azevedo, Memórias, é um dos meus favoritos. O fervilhante Moulin Rouge tem um cantinho especial neste conto, assim como outras cenas e personagens que constroem sutis relações intertextuais. Sedução e crueldade mortal rondam os passos da perigosa e cativante protagonista.

Creio que uma das características mais interessantes nos contos de Insanas é a dualidade, o mal incontrolável e de origem sobrenatural convive pacificamente com a insanidade oriunda da própria mente humana. Entre as motivações, traições, solidão, vingança, opressão. Mas também, apenas o prazer de fazer e sentir o mal. E por este mal, a crueldade não tem limites.
 
Ao leitor, recomendo: não espere por redenções ou sentimentos como a culpa. O prazer da insanidade é levado até as últimas consequências. Criaturas inomináveis...  ou simplesmente insanas.

Baixe o arquivo para degustação do conto "Tinta Vermelho Sangue", de Bruna Caroline e conheça um pouco mais do universo de Insanas... elas matam.

Seguidores

 

© 2009À LitFan | by TNB