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10 de mar. de 2013

Da escrita II

A página tem o seu bem só quando é virada e há a vida por trás que impulsiona e desoderna todas as folhas do livro. A pena corre empurrada pelo mesmo prazer que nos faz correr pelas estradas. O capítulo que começamos e ainda não sabemos que a história que vamos contar é como a encruzilhada que superamos ao sair do convento e não sabemos se nos vai colocar diante de um dragão, um exército bárbaro, uma ilha encantada, um novo amor.

O Cavaleiro Inexistente - Italo Calvino

25 de mar. de 2012

Elas...

Elas...

Por Tânia Souza e convidados

Na semana em que se comemora o Dia da Mulher, convidei algumas interessantes personas do universo virtual para comentarem sobre as personagens mais marcantes em suas histórias de leitura. Marcantes e sombrias.

Recebi comentários sobre personagens melancólicas, fortes, enigmáticas... Mulheres más, fêmeas fatais... vilãs? Não exatamente, algumas, injustiçadas, sedutoras... tristes. Mas com certeza, na opinião destes leitores, as mais fascinantes! Assim, o que seria um post somente sobre musas sombrias, se estendeu um pouco mais, espero que gostem.

Muito obrigada aos amigos que gentilmente tiveram tempo de colaborar. E o que é melhor, nossos leitores comentaristas apresentaram personagens para agradar a todos os gostos e gêneros.

Então, vamos a elas...

 *
            O escritor Romeu Martins (@romeumartins) do blog Cidade Phantástica, elegeu o universo das histórias sherlockianas para invocar sua musa das sombras. Conheçam a fascinante Maria Pinto, criação de Arthur Conan Doyle.
“Sou fã da Irene Adler, de "A Mulher" e gosto das vilãs brasileiras do Doyle, tanto que usei a Maria Pinto no Cidade Phantástica. Irene Adler é uma unanimidade pra quem gosta das histórias sherlockianas, mas eu tenho essa preferência pessoal pela Maria Pinto desde que li "O problema da Ponte de Thor" pela primeira vez e descobri aquela personagem brasileira que o próprio Holmes define como uma das mais ardilosas que ele já conhecera. Eu adoro o plano de vingança que ela elabora naquele conto.”
            
E o autor gosta mesmo da personagem, já escreveu sobre ela na noveleta "Cidade Phantástica", presente na coletânea Steampunk - Histórias de um passado extraordinário e agora, em seu novo projeto, uma graphic novel adaptando aquele texto, em parceria com o desenhista Sandro Zamboni (o Zambi), em que vão mostrar as origens dessa vilã brasileira criada por Arthur Conan Doyle. Vamos aguardar!

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Elsen Pontual (@ElsenPontual) escritor e membro do site A Irmandade, escolheu uma das minhas favoritas. Sua garota é, assim, com dizer... um carro. Mas que carro! Com vocês, Christine, de Stephen King, e Claudia, a doce vampira de Anne Rice.

“Gosto de Christine principalmente pela dúvida que ela gera no leitor. É um carro possuído ou algo ainda mais profano? Ela matou a esposa e filha do antigo dono, ou foi o mesmo responsável por esses "acidentes"? Ela voltou no final do livro para terminar sua trilha de sangue? O mestre King sabe criar um ar de mistério como ninguém.
Christine é maligna do pistão ao parachoque. Além de ser uma assassina fria e eficiente, ela possui uma capacidade de influência que beira a dominação.
O melhor é que, mesmo transformando o rapaz nerd em "descolado", ao mesmo tempo que o torna violento e cruel, ela não precisa dele para realizar sua mortandade. É meia tonelada de aço e perversidade a mais de cem por hora.
Mas se carros do sexo feminino não valem, [Valem sim, sir Elsen] escolho Cláudia, a vampira de Anne Rice. O fato de ser uma predadora perfeita e uma psicopata cruel presa à imagem e ao corpo de uma criança inocente foi a melhor jogada da autora. Afinal, não há nada mais sombrio do que imaginar um sorriso angelical e infantil manchado pelo sangue consumido com prazer e luxuria.”

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Adriana Alberti, (@tykkaa) acadêmica de Psicologia, escritora, blogueira e viciada em esmaltes; escolheu duas personagens sombrias: uma deusa da lua e uma adorável vampira. [olha só a vampirada dominando a área] 

“Existem duas mulheres na literatura que eu sou fascinada por serem sombrias. Hécate, a deusa é considerada como a mais antiga deusa da fertilidade, do nascimento, é a deusa trácia da Lua. Associada ao lado escuro da lua, magia e cerimônias, além de estar ligada ao Hades.
Hécate é representada como a deusa tríplice (jovem, mulher e anciã) além de ser a única deusa que os deuses, titãs e seres mitológicos respeitam e não enfrentam. Em geral é sempre ligada a magia, feitiçaria e encantamentos.
Outra personagem que eu adoro é a Pandora de Anne Rice, além de vampira, Pandora está sempre ligada com uma aura de sedução e distância. Mulher forte e de opinião forte. Pandora tem seu próprio livro na coleção Crônicas Vampirescas, mas faz algumas pontas em alguns outros da coleção.”

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       Persona super querida que conheci no Twitter, a Mariana (@mundodistopia), escolheu uma personagem cheia de sentimentos complexos, de uma série que ainda não li, mas que agora já está na minha lista. Sua musa é a Haven  - da série Imortais.
              
“Melhor amiga da protagonista da série (Ever), Haven é uma gótica dessas que usa batom preto, corset, cabelos negros e lisos, mas que não é levada a sério por seus amigos porque muda drasticamente de visual para ser "aceita". Ela tem uma fixação em se tornar imortal e passa a frequentar uma casa gótica onde aparentemente existem "vampiros" que vão torná-la imortal. Ela também adora cupcakes. 
Apesar de estar sempre tentando se encaixar para receber atenção o que demonstra seu lado carente, Haven tem uma personalidade bem forte e é bem autêntica, sem medo de expressar seus verdadeiros sentimentos. Ela é exposta a vários perigos por ser amiga de Ever e inclusive por escolhas erradas que a própria Ever comete, o que culmina em que Haven se amargure de pouco a pouco e torne-se uma poderosa inimiga! Eu particularmente acho que Haven foi muito injustiçada na série e por conta do egoísmo da protagonista teve seu destino todo alterado, mas ela sempre agiu com paixão, movida por sentimentos sinceros e é por isso que gosto muito dessa personagem! (me lembra a Willow de Buffy, que vira uma bruxa das trevas porque matam a Tara, sua namorada).
A Série Os Imortais de Alyson Nöel contém 6 livros: Para Sempre, Lua Azul, Terra das Sombras, Chama Negra, Estrela da Noite e Infinito; todos publicados pela Editora Intrínseca no Brasil. É um romance fantasia de paranormalidade."
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A mais que talentosa Carolina Mancini, do blog Respirando Arte (@CarolMancini15) sugere três personagens fascinantes, mas é com uma das mais belas criaturas de Poe que nos brinda por meio deste belíssimo texto: que venham as damas das sombras.

"O mundo das Ladies da literatura é realmente imenso e fabuloso, como a Lady Macbeth da tragédia shakespeariana com sua obsessão e capacidade de manipulação e sede poder, ou como a atual e belíssima vampira Kaori, da talentosa Giulia Moon. Mas ao pensar naquela que para mim tem maior destaque, vejo-me diante uma personagem talvez pouco clássica, mas sem dúvida, de um autor que é referência e responsável por muitos pesadelos. Lady Ligéia, do conto “Ligéia” de Edgar Allan Poe, marcou-me ainda na adolescência e continua comigo como a perfeição assustadora com a qual ela foi pintada. É a única personagem, ao menos que eu tenha lido ou visto, que tem, como Fausto, um conhecimento infinito de todas as ciências e faculdades existentes. A lady em questão é estranhamente bela, estranhamente talentosa, e assustadoramente perfeita.

Diante suas qualidades, tudo o mais se apaga feito um fantasma, seu sobrenome, sua família de quem pouco fala, o dia certo em que entra na vida do narrador em questão que nem ao menos sabe como ela se tornou toda a razão de sua existência. Não tem apenas conhecimento de música, como de metafísica, e tudo sobre o universo. Ela enxerga além dos horizontes.

Ligéia é taciturna, lasciva e sorrateira. Só se tem consciência de que está no ambiente quando fala algo com sua doce voz, ou quando toca seu amado com suas mãos de mármore. Ligéia tem a beleza que hoje vemos repetida à exaustão, mas da qual nunca nos cansamos, a palidez mortífera, os cabelos negros como a própria escuridão. Mas ela, até então, não é uma criatura da fantasia, ao menos, não de forma clara, ela é apenas fantástica. Seus olhos, estranhamente grandes, profundos e indecifráveis, são a marca de sua personalidade forte e tão incompreensível, que se torna secreta e obscura.

A dama em questão é ainda mestra, fazendo com que aquele que a ama, torne-se feito uma criança diante sua sabedoria, conclusões e ensinamentos. É ainda poeta e possui uma força de vontade incrível. E esta é sua maior e mais pérfida qualidade, força que tende a vencer a morte. Não apenas em presença etérea, como em carne e osso, tão alucinante quanto uma visão causada pelo ópio."
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6 de mar. de 2012

Elas... Semana da Mulher no À LitFan

Elas...

Por Tânia Souza e convidados

Na semana em que se comemora o Dia da Mulher, convidei algumas interessantes personas do universo virtual para comentarem sobre as personagens mais marcantes em suas histórias de leitura. Marcantes e sombrias.

Recebi comentários sobre personagens melancólicas, fortes, enigmáticas... Mulheres más, fêmeas fatais...

Vilãs?

Não exatamente; algumas injustiçadas, sedutoras... tristes. Mas com certeza, na opinião destes leitores, as mais fascinantes! Assim, o que seria apenas uma breve postagem sobre musas sombrias, se estendeu um pouco mais, espero que gostem.


Interessante pensar - ao ler sobre estas personagens - em suas motivações, momentos históricos nos quais surgiram e caracteristicas mais fortes. Mesmo recobertas por estereótipos, estas personagens também são, e não se trata de uma contradição, uma desconstrução dos estereótipos femininos: por meio dor, do sofrimento, nas tentativas de vencer os desafios e com ações ousadas, saíram de um lugar comum para conquistar a eternidade, brincando com o imaginário do leitor.  Fêmeas fatais não são novidades, estão presentes em culturas diversas,  assim como criaturas mágicas, vampiras, bruxas e outras inomináveis que povoam os mitos, lendas e folclores, e representam a contradição, a ousadia, o diferente e a força da imaginação.

E algumas... bem, algumas são apenas... más. E fascinantes.

Muito obrigada aos amigos que gentilmente tiveram tempo de colaborar. E o que é melhor, nossos leitores comentaristas apresentaram personagens para agradar a todos os gostos e gêneros literários.

Então, vamos a elas...

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E para estrear nossa série, o escritor Romeu Martins (@romeumartins) do blog Cidade Phantástica, elegeu o universo das histórias sherlockianas para invocar sua musa das sombras. Conheçam a fascinante Maria Pinto, criação de Arthur Conan Doyle.

E essa linda ilustração é do Zambi!
“Sou fã da Irene Adler - chamada por Holmes de "A Mulher", como um diferencial de todas as outras que ele encontrou -, Irene Adler surgiu no conto "Um escândalo de Boêmia". E gosto das vilãs brasileiras do Doyle, tanto que usei a Maria Pinto no Cidade Phantástica. Irene Adler é uma unanimidade pra quem gosta das histórias sherlockianas, mas eu tenho essa preferência pessoal pela Maria Pinto desde que li "O problema da Ponte de Thor" pela primeira vez e descobri aquela personagem brasileira que o próprio Holmes define como uma das mais ardilosas que ele já conhecera. Eu adoro o plano de vingança que ela elabora naquele conto.”
           
E o autor gosta mesmo da personagem, já escreveu sobre ela na noveleta "Cidade Phantástica", presente na coletânea Steampunk - Histórias de um passado extraordinário e agora, em seu novo projeto, uma graphic novel adaptando aquele texto, em parceria com o desenhista Sandro Zamboni (o Zambi), vão mostrar as origens dessa vilã brasileira criada por Arthur Conan Doyle. Vamos aguardar!

**

Elsen Pontual (@ElsenPontual) escritor e membro do site A Irmandade, escolheu uma das minhas favoritas. Sua garota é, assim... como dizer... um carro! Mas que carro! Com vocês, Christine, de Stephen King; e Claudia, a doce vampira de Anne Rice.

“Gosto de Christine principalmente pela dúvida que ela gera no leitor. É um carro possuído ou algo ainda mais profano? Ela matou a esposa e filha do antigo dono, ou foi o mesmo responsável por esses "acidentes"? Ela voltou no final do livro para terminar sua trilha de sangue? O mestre King sabe criar um ar de mistério como ninguém.

Christine é maligna do pistão ao parachoque. Além de ser uma assassina fria e eficiente, ela possui uma capacidade de influência que beira a dominação.

O melhor é que, mesmo transformando o rapaz nerd em "descolado", ao mesmo tempo que o torna violento e cruel, ela não precisa dele para realizar sua mortandade. É meia tonelada de aço e perversidade a mais de cem por hora.

Mas se carros do sexo feminino não valem, [Valem sim, sir Elsen] escolho Cláudia, a vampira de Anne Rice. O fato de ser uma predadora perfeita e uma psicopata cruel presa à imagem e ao corpo de uma criança inocente foi a melhor jogada da autora. Afinal, não há nada mais sombrio do que imaginar um sorriso angelical e infantil manchado pelo sangue consumido com prazer e luxuria.”
**


Adriana Alberti, (@tykkaa) acadêmica de Psicologia, escritora, blogueira e viciada em esmaltes; escolheu duas personagens sombrias: uma deusa da lua e uma adorável vampira. [olha só a vampirada dominando a área]

“Existem duas mulheres na literatura que eu sou fascinada por serem sombrias. Hécate, a deusa é considerada como a mais antiga deusa da fertilidade, do nascimento, é a deusa trácia da Lua. Associada ao lado escuro da lua, magia e cerimônias, além de estar ligada ao Hades.

Hécate é representada como a deusa tríplice (jovem, mulher e anciã) além de ser a única deusa que os deuses, titãs e seres mitológicos respeitam e não enfrentam. Em geral é sempre ligada a magia, feitiçaria e encantamentos.

Outra personagem que eu adoro é a Pandora de Anne Rice, além de vampira, Pandora está sempre ligada com uma aura de sedução e distância. Mulher forte e de opinião forte. Pandora tem seu próprio livro na coleção Crônicas Vampirescas, mas faz algumas pontas em alguns outros da coleção.”

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E amanhã tem mais. Muito mais!

E não deixem de nos contar, quem é sua personagem favorita no universo literário sombrio?

17 de mai. de 2011

Das letras, da Memória... E de como morrer nos livros me fez tanto bem


Das letras, da Memória... E de como morrer nos livros me fez tanto bem

Essa menina morre nos livros! Cresci ouvindo essa expressão, e sim, eu mergulhava de tal forma na leitura que andava por caminhos desconhecidos, mas não era morrer e sim viver, reviver, re-nascer a cada página. Perdi a conta de quantas vezes fui questionada sobre o porquê de gostar tanto de ler. As respostas? Mudam conforme o dia, o livro, a vida. Mas hoje me pergunto, por quê? Por que eu e tantos outros gostamos de ler? Leio por gosto, está claro, mas quando começou minha história de leitura? Os livros sempre fizeram e farão parte da minha vida, portanto, pensar a minha história de leitura é pensar minha existência, quem sou e o que vivi. Viajar no tempo, rever meus cachos embaraçados à sombra das árvores. Os cabelos ainda embaraçam às vezes, porém as árvores ficaram no quintal da infância, e a minha história de leitura ficou no entre o que se vive, o que se lembra e o que somente um aroma pode recordar.

Em uma cidade pequena, cidade fronteira, cidade do interior - onde o entardecer parece ter um tom especialmente melancólico – nasci e passei a adolescência. Ainda criança, descobri no livro um amigo sempre disponível para me acompanhar e mesmo nas lembranças mais antigas, nos quadros mais significativos da infância, posso identificá-los. Hábito que permanece, na minha bolsa sempre há espaço para um livro. Não pensem possíveis leitores que sou uma
leitora ideal, que já li todos os clássicos. Ao contrário, ainda tenho muito o que ler. Li o que o mundo me ofereceu e o que aprendi a buscar, algo aqui, algo ali. E de alguma forma, essas leituras tornaram-se parte de quem sou.

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