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5 de dez. de 2010

Da necessidade de ser lido - Tânia Souza

           

Cronista, jornalista, escritor, poeta, romancista... Por diversas razões, algumas pessoas escolheram (ou teriam sido escolhidas?) para tecer palavras na construção dos universos textuais. Gladiadores das palavras, pois “lutar com palavras”, como já dizia Drummond, “é a luta mais vã, entanto lutamos mal nasce a manhã”, enfrentam a cada dia essa batalha. 

Escrever é bom, mas nunca é fácil. A escrita tem uma importância muito grande em nossa sociedade, mas ao mesmo tempo, o escritor vive em constante luta por reconhecimento, por inspiração, por profissionalização. O olhar atento aos fatos mais recentes e significativos e transmiti-los na melhor forma de expressão. E qual a razão dessa constante busca? Para mim, escrever é como respirar. Uma necessidade.

De viva poesia e prosa vive o poeta, vive o contista, o narrador... Um causo, uma piada, um romance, uma novela, um poema com sua métrica, forma e efeitos, uma poesia em suas emoções e surpresas, o que são enfim palavras sem um sentido? O que são tipos, gêneros, artigos, ensaios, filosofias, paródias, as últimas notícias, intertextos e textos tecidos sem os olhos do leitor?

 
Há uma ausência latente em denúncias não divulgadas, versos abandonados, ideias não compartilhadas, aventuras de letras que não se revivem a cada leitura, uma angústia que não se revela nem divide-se aos olhos do mundo. Através das letras vivem-se mundos infinitos, e o escritor é o demiurgo, que sofre e vibra as ver suas palavras, seus amores, espantos, medos, ironias, melancolias, inspirações, raciocínios e angústias em constante ebulição de palavras: palavras duras, doces, cruéis, instigantes, provocantes, palavras enfim, espalhando e espelhando a vida. 

Escrevemos sim por uma necessidade pessoal de trabalhar o mundo ao nosso redor, mas principalmente, escrevemos pelo outro olhar, pelo segundo olhar, que compartilhará ou não essa visão de mundo, e juntos, construirmos novos sentidos. Uma sociedade sem Liberdade para a palavra está fadada ao fracasso, ao obscuro mundo da centralização do poder nas mãos de poucos. Devemos e queremos escrever, mas queremos principalmente a leitura.

            
O texto escrito só tem vida e sentido perante o leitor, somente ao seu olhar as palavras que textualizamos terão sentido e razão, ao leitor cabe gostar, desgostar, espantar-se, rejeitar, assustar-se, emocionar-se ou mesmo permanecer indiferente no momento da construção do sentido. Sem estes olhares, cada palavra é semente morta, inerme, congelada em solo infecundo, pois além do escritor, é o leitor um criador, e aquele que escreve, ainda que possa ler, reler e recriar universos, será sempre carente da vida que só o leitor pode lhe dar. 

Leitor! Leitor modelo, amador, inexperiente, experiente, equivocado, perspicaz, irritante, querido, esperado, provocante, amado, provocado, astuto, odiado, consternado, desprezado, invejado, desejado, arguto, inesperado, estimado, ansiado, prezado leitor, leitor, leitor... Pode-se negar e negar, mas é para você que o texto se faz. 

Obrigada por dar vida e sentido a estas palavras tecidas e destecidas perante a tela.

* Este texto foi criado não apenas para destacar a importância da escrita e do leitura como um processo entrelaçado - o texto se completa e ganha diferentes sentidos no momento da leitura - mas também como uma homenagem de quem é, principalmente leitora.

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